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Implantes zigomáticos: o último nível da Implantologia
12 de Julho de 2010

 

Oito médicos dentistas, colegas e amigos de Faculdade, cursos de Mestrado e certificações, juntaram-se em Lisboa, no Hospital de Jesus e no Instituto Dentário do Alto das Amoreias (IDAA), onde durante uma semana reviram os seus conhecimentos sobre a colocação dos implantes zigomáticos e efectuaram a apresentação e discussão de 10 casos clínicos diferenciados. Simultaneamente, decorreu um curso para 12 protésicos que colaboraram na elaboração das próteses definitivas para os pacientes. Esta acção de formação envolveu cerca de 40 pesssoas, entre médicos, técnicos de prótese, enfermeiros, assistentes dentárias de bloco operatório e doentes, tendo sido coordenada por Rose Cabral, comercial da área dentária, e pelo Dr. António José de Sousa, director clínico do IDAA.

Com uma experiência de vários anos na área da Implantologia, o grupo de médicos dentistas centrou a sua actuação na técnica que foi desenvolvida no Brasil, chamada planeamento reverso. De acordo com o Dr. António José de Sousa, o objectivo da acção foi a troca de experiências profissionais e apoio mútuo, além da reabilitação dos pacientes.

“Temos caminhado juntos na formação durante quase 10 anos e voltámos ao INEPO em S. Paulo há 15 meses para fazer um curso de implantes zigomáticos e há um ano um curso de enxertos ósseos (onde reabilitámos quatro doentes com quatro zigomáticos e seis doentes com dois implantes zigomáticos e três a quatro implantes convencionais), altura em que combinámos esta formação. O uso de implantes zigomáticos é o último nível da Implantologia, no sentido em que é quase a última solução para reabilitar doentes com reabsorções ósseas muito extremas, e esta é, seguramente, a primeira formação do ponto de vista prático e com este número de doentes realizada no país”.

Técnica de planeamento reverso
Os casos tratados foram escolhidos nos consultórios dos médicos envolvidos na acção e a maioria tinha já outras reabilitações feitas na mandíbula, caracterizando-se ainda pela extrema reabsorção óssea em que os enxertos ilíacos não eram opção.

Com a ajuda do Professor brasileiro Valter Moura Ferreira, também presente no evento, a técnica do planeamento reverso revelou inúmeras vantagens, entre as quais “o doente ser totalmente reabilitado no máximo de 48 horas a seguir à cirurgia”. O Dr. António Sousa resume os procedimentos: “A técnica do planeamento reverso proporciona a obtenção de uma estrutura protética quase pré-confeccionada. Antes da cirurgia fazemos o estudo do doente com fotografias, ortopantomografia, raio-X de perfil e frontal, TAC tridimensional, e pedimos ainda modelos por estereolitografia do doente para termos o modelo da sua maxila. Em seguida, num acto intra-operatório com o doente anestesiado, utilizamos a guia multifuncional para orientar a emersão dos implantes, obter moldes e efectuar o registo de oclusão. Esta técnica permite ter previamente a posição dos dentes na prótese definitiva, que nos permite, em 24 horas depois, que o doente faça uma prova da estrutura metálica já com dentes. Afinamos a estética e a oclusão e no máximo de 48 horas o doente tem os dentes definitivos colocados ”.

Além das vantagens de execução, a referida técnica oferece um bom pós-operatório, sem dores, e é previsível. “Do ponto de vista de morbilidade para o doente, esta técnica é muito mais favorável que os enxertos, que nos limitam do ponto de vista funcional e estético durante, aproximadamente, um ano de tratamento. Ou seja, com esta técnica o tratamento é muito mais rápido e tem uma alta previsibilidade e taxas de sucesso semelhantes aos protocolos convencionais de implantes”, conclui o Dr. António Sousa.

Próteses fixas em zigomáticos
Ao mesmo tempo, todas as cirurgias foram acompanhadas por 12 protésicos, numa acção de formação dada pelo técnico Edson Paes Horta Junior, que garantiram as próteses definitivas aos pacientes no tempo pretendido, atentos ao posicionamento dos implantes, função e mecânica. Esta acção de formação teve lugar no laboratório Luso-Belga.

Do ponto de vista da caracterização da prótese, foi usado um sistema de acrílico por estratificação que usa várias cores e permite imitar melhor a gengiva, dando um aspecto mais natural à prótese. O Dr. António Sousa explica: “A concepção de próteses em acrílico com o sistema Tomaz Gomes é uma técnica muito trabalhosa, e os protésicos fogem dela, mas permite fazer uma caracterização estética muito superior e mais semelhante à gengiva do doente”.
Segundo o médico dentista de Lisboa, este acrílico não é comercializado em Portugal.

Tendo os implantes zigomáticos muita estabilidade, mas uma “alavanca” muito grande, a técnica de planeamento reverso permite fazer próteses definitivas (e não removíveis ou fixas em acrílico) por questões de segurança clínica e no sentido de se melhorar a osteointegração do implante. O Dr. Sousa esclarece: “Desta maneira, não corremos risco de fractura da prótese, que pode conduzir à perda dos implantes, e garantimos maior estabilidade e função imediata, que vai estimular a osteointegração dos implantes”. E acrescenta: “Ao fim de três/quatro meses, pode ser verificada a condição dos implantes e, se houver necessidade, rectificar-se a prótese do ponto de vista do ajuste gengival e da oclusão”.

Não sendo os únicos profissionais a trabalharem com implantes zigomáticos em Portugal, este grupo pretende expandir este tipo de formação a mais colegas. O Dr. António Sousa lembra, contudo: “Apesar de ser normalmente feita com anestesia geral do paciente, a colocação de implantes zigomáticos também pode ser feita com anestesia local e em ambulatório. Para a colocação de implantes zigomáticos, é fundamental a elevada experiência cirúrgica do profissional, muitos conhecimentos em anatomia e conhecer todos os riscos envolvidos nestes casos clínicos”.

Fonte: Dentistry

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